segunda-feira, 24 de dezembro de 2007

Ainda não posso dizer "home sweet home", mas posso dizer já família doce família. Não vi Lisboa nem amigos, mas estou confortável num meio que domino - apesar de ningém ouvir o que eu digo. Telefonei de propósito para casa, ainda estava no aeroporto de Guarulhos, para avisar que chegava às 12:15, repeti este horário várias vezes, mas o anormal do meu irmão cagou pra mim e foi dizer à minha irmã que e só chegava às 3h da tarde. Por isso, cheguei a Lisboa e ainda fiquei uma horinha no aeroporto à espera de alguém que me buscasse, apesar de ter ligado quando ainda espareva as malas, depois de um voo que ainda atrasou uma horita. O resto da família, só pude ver à noite porque só lhes apeteceu sair de Viseu no final da tarde. E assim fiquei, na Ericeira, a fazer um esforço sobrehumano para aguentar esperar acordada, em mais uma noite de pouco sono.
Mas, enfim, aqui estou, agora já com a família toda, ou quase toda, reunida. Adeus Brasil, adeus Folha, adeus calor, adeus pousada desconfortável e barulhenta, adeus caos de São Paulo. A todos, um Feliz Natal e um Óptimo 2008!!!


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sábado, 22 de dezembro de 2007

No aeroporto de Guarulhos (São Paulo)

Provavelmente... o último post.
Estou aqui neste encantador aeroporto, depois de uma semana que me levou à exaustão. Depois do Rio, dei um salto em Niterói, que é mesmo ao pé, andei muito, muito. Segui para o terminal rodoviário de Niterói, eram umas 8horas da noite, mas já não havia lugares vagos para regressar a São Paulo. Então levaram-me para o Rio, onde já consegui um ônibus. Fiz a viagem durante a noite, mais uma vez mal dormi, e ocupei o dia em São Paulo para visitar coisas que ainda não tinha podido visitar. Depois foi a vez de ir dar um beijinho à Lúcia, coitada, que eu ainda não a tinha visto depois daquele dia no aeroporto... E foi mais uma aventura... grande! Sim, estava lá toda a família reunida... Ai, ai...
Cheguei a casa tarde para ainda fazer as malas. Ou seja, voltei a dormir pouco, depois de mais um dia agitado, e hoje fui muito cedinho para a 25 de Março, uma rua cheia de barraquinhas e lojas bem apetitosas, assim baratinhas... Chegada a casa, no final de uma manhã também cansativa, fiquei à conversa com a Neidinha e até a ajudei numas tarefas. Foi a vez de ir comprar os sapatos da Mónica (e os meus), lá pertinho de casa. Mas o número da Mónica estava esgotado na cor que ela queria. O número seguinte também estava esgotado. Fui procurar net onfirmar o número da Mónica para saber o que ela queria da vida. Apontei o número para ir procurar um "orelhão" ligar à Mónica. Mas atendeu-me o António... que não conhecia a Mónica. Por isso não consegui falar com a Mónica. Regressei à Melissa, experimentei os meus sapatos. E vi que na Melissa calço um pouco mais do que o normal. Pedi para ver os outros sapatos que a Mónica também tinha dito que gostava. Mas também não havia mero da Mónica nem o número a seguir ao da Mónica. Então trouxe uns sapatos que espero que a Mónica goste. Se não gostar, aviso já que não os quero para mim, que não são o meu género.
A fila para pagar era gigante e as meninas sorriam calmamente. Que raiva. O táxi peroporto devia estar quase a chegar à Pousada. Mal consegui corri para a Pousada, mas o taxista já tinha dado o bazo. Carreguei as malas todas e chamei outra vez o taxista, que era muito simpático.
Vim para o aeroporto, para apanhar o avião das 20:35 que aqui me avisaram que tinha mudado para as 00:35. Escrevi uma reclamação, sirandei por aí e estou farta de aqui estar, cheia de dores mosculares e com um soninho desencojador.
Vim para a net caríssima e ainda por cima este computador tem falhas graves: não entra no hotmail fecha as páginas todas quando eu tento entrar), bloqueia e come letras deste texto que eu não estou para reler, mas algum desses "comilanços" deve ter passado sem eu reparar. Que raiva!!
E como tou já a stressar com isto, guardoistoria dos tios para amanhã. Assim acabo em grande.
Sim, Inês, só aventuras lol mas nem sempre pelos melhores motivos... É, só peripécias típicas de uma azarada de primeira. Nem todos têm a sorte de ter azar...

quinta-feira, 20 de dezembro de 2007

Ao encontro do tenente-coronel

O tenente-coronel Pinheiro Neto esperava-me no alto do seu "posto de vigia". Enquanto isso, eu andava em aventuras mirabolantes para ir dar com o Bope. Peguei o ônibus e dei por mim a dizer à mulher que recebe o dinheiro dos bilhetes: "podjia ávisá pra mim lá nas Laranjeiras?". Não foi a primeira vez que usei este sotaque inconscientemente. Já quando esperava na terminal do Tietê para vir para o Rio fui a correr atrás de uma senhora cujo casaco tinha caído e disse-lhe: "ó aí... o casaco caiu pra você".
Sinceramente, eu não sei se eles fazem tudo "pra mim" ou "pra você", mas devem usar estas expressões com frequência, para que eu já as tenha apanhado. Ridículo. É que cansei de impôr o meu sotaque de portuguesa e ter que repetir as coisas milhões de vezes até que eles percebam (só quando dou uns ares de brazuca).
No entanto, ando também algo surda, sobretudo depois da viagem de autocarro por montes e vales até aqui. Acontece que a senhora que cobra os bilhetes diz que perguntou quem ia sair nas Laranjeiras e ninguém respondeu. Quando lhe pedi que não se esquecesse de "avisar pra mim" (já estava há uma hora e meia no autocarro), ela riu-se e explicou que já tinha perguntado, não se lembrava já quem tinha pedido isso.
Acontece que fui parar à Rodoviária, a última paragem daquele transporte, e tive que pagar a viagem de regresso e estar muito, muito atenta para não perder de novo o objectivo. A senhora que cobra os bilhetes (agora já era outra) lá me avisou. E eu saí. Andei em direcção à Rua das Laranjeiras, nº 150. Deparei-me com um condomínio fechado, um prédio normal... Não, não podia ser aquilo. Nisto, já passavam 10 minutos da hora marcada com o tenente-coronel que me esperava.
Perguntei a várias pessoas se sabiam onde era o Bope, até que, já eu estava desesperada, um senhor da vidreira soube dizer-me. Eu tinha a morada errada, sim. Era lá ao cimo, no morro. Andei uns trinta minutos, o mais rápido possível. Subi a ladeira pelo parquezinho e depois mais umas ruas desertas. Estava um calor desgraçado e eu suava em bica. Estava muito vermelhinha e ofegante, coisa que já não sentia desde as longínquas aulas de educação física. E só pensava "não, eu é que não era boa para ir para o Bope, de certeza".
Enfim, vi a caveira que caracteriza os "caveirinhas". Dois tropas à entrada perguntaram-me quem eu era, avisaram a minha chegada e lamentaram, mas eu ainda tinha bastante para subir. Ainda foram mais uns 10 minutos a pé, sempre a subir, até entrar finalmente na sede do Bope. E o tenente-coronel continuava à espera. Levaram-me até ele. Bem mais simpático e sorridente do que eu esperava, depois de falar com ele por telefone e ouvir aquela forma de falar de tropa.
Mas ele ia ter uma reunião. Por isso sentei-me à espera que a reunião terminasse. Deram-me água porque viram o meu estado de exaustão, além das olheiras que já trazia de uma noite mal dormida (não sei se cheguei a dormir) no autocarro da '1001'.
Enquanto isso, reparei na lindíssima vista que eles têm lá de cima. Vêem o Cristo, o Pão de Açúcar, a Baía de Guanajara, o palacete do governador... Upa, upa! Assim dá gosto! Perdida nesta paisagem lá entrei no gabinete do comandante, o tenente-coronel Pinheiro Neto - já passava das 16 horas... Falei com ele, super simpático, era novinho... Depois subiu comigo ao telhado para me mostrar o outro lado da vista... a favela. E contou-me que eu andei sozinha numa favela, embora fosse a parte mais deserta. Nossa! Descansou-me o facto de ser "a favela mais segura do Rio" e que "os meninos de sete, oito anos, não sabem o que é uma arma, não sabem o que é um traficante, nunca sentiram perigo". Porquê? Foi há sete, oito anos, que o Bope ali se instalou.
Bem, tirei as minhas fotos, admirei o "caveirão" (o blindado deles), e um moço que trabalha para o coronel deu-me boleia para descer a favela no carro do Bope. De volta às Laranjeiras, senti que ficou um monte de gente a olhar para mim, provavelmente a pensar que tipo de crime é que eu tinha cometido para vir naquele carro.
Voltei facilmente a Ipanema, debaixo de uma chuva intensa que começou a cair quando eu estava no telhado do Bope. Sentia-me tão, tão cansada. Ainda por cima, durante a manhã, tinha andado a fazer uma grande passeata pelo paredão de Ipanema até chegar a Copacabana e estar mesmo a chegar a Botafogo. Ainda assim, para aproveitar bem estes momentos cariocas, decidi passear aqui por Ipanema na hora de jantar. Gosto mais do que Copacabana, onde fiquei da outra vez que vim ao Rio. Se alguma vez vierem ao Rio, é... Ipanema é o mais fixe!
Às 21 horas cheguei à pousada, que é estranha, para dormir o mais rapidamente possível. Todas as pousadas aqui são estranhas, parece-me. Cada uma com suas especificidades. Depois mostro a foto da entrada. É que tem uma portinha com um buraco para espreitar. Parece aqueles filmes em que há um guarda do outro lado da porta que pede uma senha de entrada na casa de jogo ilegal. Mas é giro!
Hoje vou passear mais um pouco por aqui, entrevistar mais umas pessoas e, provavelmente, ainda dou um salto a Niterói para ver o famoso Museu de Arte Contemporânea, partindo então de Niterói para São Paulo. Não quero voltar a São Paulo!! É feio, escuro, poluído, instável, stressante... E aqui é tão bonitoooo!!

terça-feira, 18 de dezembro de 2007

Adeus Folha!!

Já disse adeus à Folha. Fiquei contente por alguns me dizerem para ir mandando notícias e para me manter em contacto. Ao menos alguma coisa levo daqui... E, afinal de contas, mesmo não tendo feito assim muitos trabalhos jornalísticos, até aprendi bastante. Ah! E ainda assinei uma peça. Claro que, como irresponsável que sou, não guardei nada dessas coisas. Na altura não liguei e agora até queria ter guardado como recordação e, eventualmente, portfolio. Mas guardei o meu crachá! Já não é mau. Depois, estive quase, quase para andar por lá a tirar fotos da redacção, que é tão impressionante. Mas ainda tenho uma reputação a manter e fiquei acanhada. O mais que consegui foi ir à varanda do 10º piso tirar uma fotografia à vista (que nem é assim tão bonita, não).
Agora estou aqui na Terminal do Tietê a fazer tempo para apanhar o autocarro para o Rio, à 1hora da manhã. Uma vez que a rodoviária do Rio é numa zona muito mázinha, não quis arriscar a chegar cedo demais. Nem ia ter nada para fazer tão cedo. Assim vou refasteladinha na poltrona do autocarro e talvez com um bocadiiiiinho mais de sono para conseguir dormir.
Amanhã lá irei entrevistar o Coronel Pinheiro, o boss. E provavelmente conseguirei subir à favela com eles. Quem sabe dentro do mítico caveirão, que depois vocês poderão ter oportunidade de perceber o que é, um dia que a reportagem seja publicada na Sábado.
O tempo está mesmo a apertar. Já não vou ter tempo para fazer tudo o que queria aqui por São Paulo, acho. Até porque tenho que ir ter com a Tia Lúcia, pela qual a minha mãe me pergunta sempre que fala comigo ao telefone, e que insiste em que eu durma lá em casa. Perdi hoje meia hora ao telefone só para tentar provar-lhe que não era preciso ninguém ir-me buscar porque eu não sei onde vou estar antes de ir para casa dela, porque o metro é mais rápido do que o trânsito infernal que se apanha de carro e porque o metro está em todo o centro e pára a dois quarteirões da casa dela. Ela ainda não entendeu. Queria à força mandar uma das netas ir buscar-me. Mas se isso ia dar mais trabalho a toda a gente, até a mim própria.... para quê??
Ora, só no sábado poderei ir às compras de Natal. Diga-se: estive este fim de semana sem fazer nenhum. Mas foi tão bom!!...
Logo que possa voltar à net vos trarei notícias. Cumprimentos! Já vos vejo para a semana.

segunda-feira, 17 de dezembro de 2007

Jabá

Jabá. Só jabá, por toda a redacção. Todos falam do jabá e correm com o jabá de um lado para o outro, todos entusiasmados. A mesa da "recepcionista" do 4° piso está cheia de jabá empilhado que é para distribuir. "É Natal, muito jabá", diz um jornalista.
Jabá é o ramo de flores, jabá é o livro, o CD, a planta, a garrafa de vinho ou de licor, é o convite para um espectáculo cultural, é uma passagem para viajar, é o perfume, a caixa de chocolates ou tudo o que se assemelhe a um presente de Natal enviado para a redacção de um jornal. Ainda não conheço a profissão assim tão a fundo em Portugal, mas duvido que seja assim. Não tenho espaço para me mexer nesta mesa porque estou atolhada de jabá dedicado à pessoa que aqui se sentaria não fosse eu estar cá.
O quanto eles gostam deste jabá!! Andam mesmo contentinhos. E queixam-se porque o governo estabeleceu um limite de cem reais para as prendas que eles deviam receber. Por isso já não podem fazer cruzeiros nem viagens familiares a sítios paradisíacos com tudo pago, nem receber telemóveis topo de gama... Coitadinhos! A pena que eu tenho deles!
É neste ambiente jabaleiro que eu me vou embora. É já amanhã, visto que pedi para terminar mais cedo. Tenho aí uns afazeres. A despedida já começa. E, desta vez, ela vai ser feita aos poucos. Primeiro o trabalho, depois o Rio, depois o albergue. E já tive que me despedir da Alicinha, que entrou de férias. Mas anima-me o pensamento do "faltam 5 dias".

sexta-feira, 14 de dezembro de 2007

Vou ter saudades disto

Ia eu pela rua abaixo, sempre a direito, sempre a direito, e já via há algum tempo, lá no fundo, uma senhora que passeava qualquer coisa... parecia um cão (pequeninoinoinoino). Passado um pouquinho, porque os meus passos eram mais apressados, alcancei a mulher. E, qual é o meu espanto... quando vejo que a mulher tava com um lencinho a limpar o rabinho do pequenino cãozinho! E ao pormenor! Aninhada, lá espreitava, não fosse algum bocadinho de... cócó... ficar por limpar. Em plena praça pública remexia aquela... nhanha...
Eu ri-me. E foi este momento tão belo que me abriu os olhos. Porque apercebi-me que é destes pequenos momentos que eu vou ter saudades. Cada segundo pode proporcionar surrealidades. Sair à rua é deparar com coisas inacreditáveis. Vou ter saudades da histeria característica de qualquer brasileiro, que teima em fazer dos berros o seu tom de voz normal, que teima em fazer muitos gestos e em usar uma espécie de linguagem física, por vezes agindo quase como aqules coelhinhos da Duracell, que duram e duram e duram. Vou ter saudades de ler em T-shirts, em plaquinhas dentros dos táxis ou em flyers que abundam por aí frases como "Deus nos ama", "Deus nos abençoe" ou "Deus está aqui". Vou ter saudades de não ter paz nem sossego, de estar no meu quarto barulhento onde ouço o telefone da recepção a tocar, a televisão a trabalhar sem ninguém a ver, as pessoas a gritar (ou será falar?) na rua, os autocarros chiadeiros a fazer travagens bruscas na paragem em frente à minha casa, os carros a passar de rajada e as motas, essas, que aqui não têm nenhuma lei que os impeça de quitá-las todas para fazer ainda mais barulho do que o normal e, acima de tudo, onde ouço, todos os dias de manhã, a Alice a chegar e dizer para alguém "Oi! Tudo bom?" e o telefone a tocar logo de seguida (é a Cláudia) e a Alice a atender e a dizer "Alô! Ooooiii", um "oi" meio grunhido que eu não conseguiria jamais imitar...
É destas pequenas coisas que eu vou ter saudades. Vou ter saudades daquele meu processo em que saio do autocarro e imediatamente procuro o crachá da Folha enquanto espero que o semáforo dos carros fique vermelho (porque aquela passadeira, entre outras, não tem semáforo para os peões e então temos que ver como está a cor para os veículos) e, de seguida, andar aquele pedaço de rua até à Folha agitando o crachá numa espécie de acrobacias, empenhá-lo orgulhosamente porque, afinal, "'trabalho' na Folha!".
Vou ter saudades daquelas noites mais frias em que fico demasiado tempo à espera do transporte para casa naquela rua escura e perigosa e fria, com os meus dentes a abanar, não sei se de frio, de medo ou de velhice. Vou ter saudades de ver toda a gente agitada no trabalho e eu aqui, quietinha, caladinha, na maior das calmas quando comparado com os outros. Vou ter saudades de ir ao cinema e, além de não haver pipocas doces, só encontrar filmes que, ou não tenho interesse em ver, ou já vi em Portugal, ou não são passados num horário a jeito.
Apesar das chatices, das saudades, do choque cultural... há coisas que vão ficar para sempre, das quais ainda me vou rir, pelas quais ainda vou chorar e que ficarão para sempre nesta cabecinha, a não ser que, de facto, se confirme que sofro de Alzheimer antecipado.

quinta-feira, 13 de dezembro de 2007

Mas que ambição!

Impossível não reparar na importância que estes "caras" dão ao corpo. Não há espelho que não tenha alguém a pentear-se ou a compor as roupas. Não há casa de banho que não tenha alguém a lavar os dentes. Até no autocarro as pessoas olham para o vidro para ver se conseguem nele reflectir-se!
Não há sumo que não tenha uma versão light ou zero ou qualquer outra dessas denominações. O normal é o café vir com adoçante, e quem quer açúcar é aqui o coitado que tem que fazer o pedido especial. E os pacotinhos de açúcar são mais pequenos. Eu tenho sempre que pedir dois... e fica toda a gente a olhar para mim! Se quisermos um suco natural temos que referir que é com açúcar, de outra forma eles ou não põe nada ou metem adoçante. Até sandochas com maionese e molhos dizem lá que são light. Até o McDonalds vive mais das saladas, das águas de coco e dos menus light do que de coisas como o Big Mac ou McBacon...
Há uma perseguição qualquer. Até na TV. Das raras vezes que vejo uma televisão ligada só vejo duas coisas: futebol ou aqueles bonecos que passavam aí há alguns anos que é uma família (pai e mãe gordos, avó rabujenta, filho e filha jovens e reverentes e ainda um bébé mimado) de dinossauros verdes com ar asqueroso, mas fofinhos, que usam camizas de flanela, numa versão tipicamente americana do que é divertir as crianças. Não sei se se lembram, mas a popularidade daquilo, ainda, nestes dias, só pode dever-se à necessidade das pessoas o verem... E como, se parece dos anos 80 (talvez seja), se as vozes dos personagens são tão mais irritantes do que aí e se o público-alvo é a criançada? Por que é que há pessoas que vêm isso? Para quê? Cá para mim, só pode significar que aquilo pode fazer as pessoas sentirem-se bem com o seu próprio corpo... uns dinossauros tão horrendos, então, afinal, eu até sou tão bonito (a)...
Por isso, acho que até a televisão reflecte esse cuidado com a aparência. De um lado, esses bonecos terríficos, de outro, o futebol, um incentivo à prática do desporto, mas que também funciona da mesma forma que esses bonecos dos dinossauros (porque, diga-se... jogador de futebol aqui não deve muito à beleza... - ex: Ronaldinho Gaúcho, Ronaldo, Pélé... sem ofensa!).
Suponho que haja aí também muitas novelas a dar, mas que eu nunca apanho porque não estou em casa a essa hora. E elas, por sua vez, correspondem ao exemplo a seguir, com as pessoas que o público sempre quis ser...
Mas a eles lhes posso garantir que assim não vão longe! Não é a misturarem arroz com massa e com batata assada e com batata frita e com salada e com carne e com ketchup e com maionese e com mostarda mais o molho de tomate que vão conseguir ter a aparência perfeita! Não é a usarem meias brancas nem aqueles ténis fanhosos sob um fato de treino xungoso, acompanhado de um cruxifixo prateado e um brinquinho douro e óculos de sol made in china bem feios que vão conseguir safar-se! Ai isso eu posso garantir!

quarta-feira, 12 de dezembro de 2007

Uma questão de português

Já vi que aí chegou finalmente a discussão sobre o acordo ortográfico da língua portuguesa. Esse tema já era aqui muito falado antes de sequer eu aqui ter chegado. E, ao que vejo, há um consenso. Ao menos alguma coisa em que a generalidade de Portugal pense da mesma forma que a generalidade dos brasileiros: esse acordo é ridículo.
O que mais os deixa aqui chateados é o facto de sair o trema. Nós aí não usamos, mas em palavras como seqüência ou eles usam. E, agora, até acho que faz sentido, pois assinala as sílabas que levam "qu" ou "gu" antes de um "e" ou de um "i" em que o "u" também se lê. Aí, deixam-nos frustrados os "h" que vão omitir-se, mas que eles aqui também nem sempre utilizam (reparem: eles escrevem "úmido").
Ou seja, parece que este acordo não passa de uma chachada. Ninguém diz que vai cumprir as regras. E mesmo, se formos ver ao dicionário, diz que a palavra "frauta" existe lá como sinónimo de flauta, porque assim era escrita por Camões. Ora, se "frauta" está no dicionário, então "Húmido" também estará porque assim foi usada, com certeza, por muitos autores.
Mas a mim o que me irrita mesmo é que queiram uniformizar uma língua que, embora a mesma, seja tão diferente nos diferentes países em que é falada. Pelo menos, no que toca a Portugal e Brasil. Acho até que o que deveria ser feito era precisamente o contrário. Nem que fosse como o "british english" e o "american english". Mas, visto que não soa bem "português português" e "português brasileiro", arranjar outra forma de os distinguir.
Senão, vejamos, com esta uniformização... Não imagino o brasileiro a penetrar o nosso país tão facilmente assim. Se analisarmos os nomes das pessoas que aqui conheci e se esses nomes entrassem em Portugal, então nós todos teríamos filhos gozados na escola. Isto falando apenas de brasileiros que conheci, imaginam que dariam algum destes nomes aos vossos filhos? Guto, Gilmar, Gentile, Josmar Jozinho, Vinicius, Natali, Márvio, Ohary ou Wherle, por exemplo, para os meninos, ou Jaqueline, Sida (sim, Sida), Afra, Andrea ou Neide, para as meninas? Certamente que pôr um destes nomes aos vossos filhos geraria traumas graves.
Ora, o que eu acho é que temos que adaptar a língua ao contexto cultural em que nos encontramos. Agora imaginem o que era os portugueses, em Portugal dizerem "esse cara é um boca-suja", "mermão, abraço brother" ou "sabe onde é o ponto de ônibus?". Nunca daria. E os brasileiros, por sua vez, nunca abdicariam dessas expressões.
Concluo, portanto, que isto de uniformização da língua é uma utopia. Apenas uma utopia. Que não é com assinaturas que vai ser conseguida. Se querem realmente uma unifromização, então tratem de controlar as expressões usadas em cada parte do mundo e mandar chapadas a quem usar uma expressão que não seja usada em outro país de língua oficial portuguesa. Aliás, então deveriam também exercer controlo entre o norte e o sul de Portugal, e dos outros países também, porque, dentro do mesmo país, também há regionalismos.
Mas o governo, com certeza, sabe que isto é uma utopia. Porquê tão pouca divulgação em Portugal? Por que é que a bomba só rebentou agora, que já tudo acalmou em terras de Vera Cruz e que já pouco se pode fazer para evadir esta ideia? Não acham que aqui há gato?
Por via das dúvidas, já sei que nome hei-de dar ao meu filho: Afra Jozinho. Que acham? Ou então... Guto Gentile... Bah! Que palhaçada!

terça-feira, 11 de dezembro de 2007

É Natal, é Natal tralitarara

Por aqui, e imagino que por aí também, as decorações natalícias já estão por toda a parte. Presépios bem iluminados em várias esquinas, luzes a enfeitar os prédios proeminentes, pais-natais com sorrisos parvos em todo o lado. Mas o que surpreende aqui é como é que num país tão pobre se pode celebrar tanto o Natal. As decorações são ricas em pormenores, em estrondosidade e iluminação. As crianças andam doidas, sempre a discutir com os pais porque querem tirar fotografias com o "Papai-Noel", mas recebem sempre respostas como "Há outro ali na frente". Então os miúdos fazem ali uma birra porque querem ir ver aquele Pai-Natal e não outro. Eu posso não ser muito velha, mas eu não me lembro de alguma vez ter recebido uma resposta como "há ali outro Pai-Natal à frente"! Então... mas assim não tem graça! Por isso é que aos 3 anos já sabem que o Pai-Natal não existe! (ups! é segredo...)
O Parque do Ibirapuera tem uma árvore de Natal gigante. Às 21horas em ponto, cai neve no Ibirapuera. A galeria Melissa mudou toda a sua fachada e tornou-a toda dourada, sem os cartazes à frente e com um (mais um) sorridente Pai-Natal dourado. Não há shopping que não tenha um belo presépio e muitos Pais-Natais. Na Avenida Paulista, que proporciona talvez as mais ousadas decorações de Natal, todos os domingos há concertos de Natal.
Bom, é muito Natal para, literalmente, dar e vender.
Agora, imaginem, com tanta luz, tanta coisa, tantas pessoas a carregar sacos de compras... imaginem como se sente aqueles pobres apelidados de "pragas". Na verdade, tenho visto menos mendigos. Devem refugiar-se nesta altura do ano... E se eu acho que é um exagero de espírito natalício, que chega a roçar ali a parolice... imaginem-nos a eles!