quarta-feira, 12 de dezembro de 2007

Uma questão de português

Já vi que aí chegou finalmente a discussão sobre o acordo ortográfico da língua portuguesa. Esse tema já era aqui muito falado antes de sequer eu aqui ter chegado. E, ao que vejo, há um consenso. Ao menos alguma coisa em que a generalidade de Portugal pense da mesma forma que a generalidade dos brasileiros: esse acordo é ridículo.
O que mais os deixa aqui chateados é o facto de sair o trema. Nós aí não usamos, mas em palavras como seqüência ou eles usam. E, agora, até acho que faz sentido, pois assinala as sílabas que levam "qu" ou "gu" antes de um "e" ou de um "i" em que o "u" também se lê. Aí, deixam-nos frustrados os "h" que vão omitir-se, mas que eles aqui também nem sempre utilizam (reparem: eles escrevem "úmido").
Ou seja, parece que este acordo não passa de uma chachada. Ninguém diz que vai cumprir as regras. E mesmo, se formos ver ao dicionário, diz que a palavra "frauta" existe lá como sinónimo de flauta, porque assim era escrita por Camões. Ora, se "frauta" está no dicionário, então "Húmido" também estará porque assim foi usada, com certeza, por muitos autores.
Mas a mim o que me irrita mesmo é que queiram uniformizar uma língua que, embora a mesma, seja tão diferente nos diferentes países em que é falada. Pelo menos, no que toca a Portugal e Brasil. Acho até que o que deveria ser feito era precisamente o contrário. Nem que fosse como o "british english" e o "american english". Mas, visto que não soa bem "português português" e "português brasileiro", arranjar outra forma de os distinguir.
Senão, vejamos, com esta uniformização... Não imagino o brasileiro a penetrar o nosso país tão facilmente assim. Se analisarmos os nomes das pessoas que aqui conheci e se esses nomes entrassem em Portugal, então nós todos teríamos filhos gozados na escola. Isto falando apenas de brasileiros que conheci, imaginam que dariam algum destes nomes aos vossos filhos? Guto, Gilmar, Gentile, Josmar Jozinho, Vinicius, Natali, Márvio, Ohary ou Wherle, por exemplo, para os meninos, ou Jaqueline, Sida (sim, Sida), Afra, Andrea ou Neide, para as meninas? Certamente que pôr um destes nomes aos vossos filhos geraria traumas graves.
Ora, o que eu acho é que temos que adaptar a língua ao contexto cultural em que nos encontramos. Agora imaginem o que era os portugueses, em Portugal dizerem "esse cara é um boca-suja", "mermão, abraço brother" ou "sabe onde é o ponto de ônibus?". Nunca daria. E os brasileiros, por sua vez, nunca abdicariam dessas expressões.
Concluo, portanto, que isto de uniformização da língua é uma utopia. Apenas uma utopia. Que não é com assinaturas que vai ser conseguida. Se querem realmente uma unifromização, então tratem de controlar as expressões usadas em cada parte do mundo e mandar chapadas a quem usar uma expressão que não seja usada em outro país de língua oficial portuguesa. Aliás, então deveriam também exercer controlo entre o norte e o sul de Portugal, e dos outros países também, porque, dentro do mesmo país, também há regionalismos.
Mas o governo, com certeza, sabe que isto é uma utopia. Porquê tão pouca divulgação em Portugal? Por que é que a bomba só rebentou agora, que já tudo acalmou em terras de Vera Cruz e que já pouco se pode fazer para evadir esta ideia? Não acham que aqui há gato?
Por via das dúvidas, já sei que nome hei-de dar ao meu filho: Afra Jozinho. Que acham? Ou então... Guto Gentile... Bah! Que palhaçada!

2 comentários:

Mónica disse...

O ponto básico dessa discussão que encerraria a mesma, na minha opinião é o seguinte: os brasileiros em regra não entendem os portugueses, não compreendem a nossa fonética. O que sempre achei estranho pk os compreendo a eles... beijinhos Helga Maria Sida Giuni . Ah , mais uma coisa eu conheci uma rapariga chamada Macambusia ( sim com s )

Enes disse...

eu tb acho o acordo uma treta. não percebo porque é que é preciso uniformnizar a língua. aliás, acho que assim tem muito mais interesse. acho que fazer a distinção - como tu disseste - de português de portugal e português do brasil teria todo o sentido. duas versões da mesma língua, pronto.
ainda assim, ouvi falar no outro dia que só uma pequena percentagem (2 ou 3 %) das palavras é que vão ser alteradas. deve ser só para gastar papel e tempo...